Quem se muda para a Hungria descobre rápido que um único documento manda em todos os outros: a lakcímkártya, o cartão de endereço. Sem ele não há conta em banco, nem plano de celular, nem número de contribuinte, nem inscrição no sistema de saúde. E o cartão de endereço só existe se o seu locador colaborar.

Tudo isso se resolve no Kormányablak, a "janela do governo", uma espécie de central de atendimento que reuniu vários órgãos sob o mesmo teto. Húngaros mais velhos e metade das pessoas que lhe derem direções continuam dizendo Okmányiroda, nome da repartição anterior. As duas palavras apontam para o mesmo prédio.

Uma observação sobre a pronúncia, porque o húngaro escrito engana o olho brasileiro de ponta a ponta. s se lê como o nosso "ch", e sz é que corresponde ao nosso "s" de "sapo". cs é "tch", zs é o nosso "j" de "jogo", e ny é exatamente o nosso "nh": nesses dois o português sai na frente. gy e ty ficam perto do "di" e do "ti" cariocas, um pouco mais suaves. O h é sempre soprado, nunca mudo como no português. E o g é duro em qualquer posição, inclusive antes de e e i, por isso ele aparece nas transcrições abaixo como "gu". A tônica cai sempre na primeira sílaba, sem uma única exceção. Para ö e ü não existe equivalente em português: mantive as letras como estão. O ö é um "ê" dito com os lábios arredondados; o ü, um "i" com os lábios arredondados.

A repartição e o caminho até lá

Kormányablak (kor manh ablak): literalmente "janela do governo". O ponto de partida para quase todo trâmite administrativo.

Okmányiroda (ok manh iroda): "escritório de documentos". Oficialmente extinto, vivíssimo na boca do povo.

Időpontfoglalás (idö pont foglalách): o agendamento. É feito online e, em Budapeste, nos distritos mais concorridos as vagas somem rápido.

Sorszám (chor ssám): a senha de atendimento.

Ügyintéző (üdi intêzö): o atendente, a atendente responsável pelo seu caso. Você vai ouvir muito essa palavra, porque a chamada costuma encaminhar você a uma pessoa específica.

Ügyfélszolgálat (üdi fêl ssolgálat): o atendimento ao público, na prática a área dos guichês.

Os seus documentos

Útlevél (út levêl): o passaporte. Ao pé da letra, "carta de estrada".

Személyi igazolvány (ssemêi igazolvánh): a carteira de identidade. Quase sempre abreviada para személyi.

Lakcímkártya (lak tsím kártia): o cartão de endereço. O documento em torno do qual gira o prédio inteiro.

Lakcímbejelentő lap (lak tsím beielentö lap): o formulário de declaração de endereço.

Befogadó nyilatkozat (befogadô nhilatkozat): a declaração de acolhimento do locador ou do proprietário. É aqui que a coisa costuma travar. Quem é dono do imóvel precisa declarar por escrito que você pode morar ali, e assinar. Muitos locadores nunca viram esse formulário ou hesitam em assinar. Resolva isso antes de marcar o atendimento, não depois.

Bérleti szerződés (bêrleti sserzödêch): o contrato de aluguel.

Adóazonosító jel (adô azonochitô iel): o número de identificação fiscal. Necessário para qualquer vínculo de trabalho.

TAJ-szám (tai ssám): o número da seguridade social, sem o qual não se marca consulta médica.

Tartózkodási engedély (tartôzkodáchi enguedêi): a autorização de residência. É este o documento do seu processo, já que o Brasil está fora da União Europeia e você entra na Hungria como nacional de país terceiro. Se você também tiver passaporte italiano, português ou espanhol, situação nada rara entre brasileiros, o caminho é outro e mais curto: em vez de pedir autorização, você registra um direito que já possui, e o papel se chama regisztrációs igazolás (reguistrátsiôch igazolách), a certidão de registro. Vale conferir qual dos dois se aplica a você antes de montar a pasta, porque a lista de documentos não é a mesma.

Os trâmites

Kérelem (kêrelem): o requerimento.

Bejelentkezés (beielentkezêch): a declaração de endereço, o ato de se registrar.

Igazolás (igazolách): a certidão, o comprovante. Palavra onipresente, porque na Hungria existe uma certidão específica para praticamente cada situação da vida.

Illeték (iletêk): a taxa administrativa.

Bélyegző (bêiegzö): o carimbo.

Aláírás (alá írách): a assinatura.

Eredeti (eredeti): o original. Másolat (mácholat): a cópia.

Érvényes (êrvênhech): válido. Lejárt (leiárt): vencido.

As palavras que você espera não precisar

Hiánypótlás (hiánh pôtlách): a juntada de documentos faltantes. A palavra que anuncia que você vai voltar.

Hiányzik egy dokumentum (hiánhzik edi dokumentum): "está faltando um documento".

Elutasítva (elutachítva): indeferido.

Fellebbezés (fellebbezêch): o recurso.

Jöjjön vissza (iöiön vissa): "volte outro dia". Dito com simpatia e ainda assim uma manhã perdida.

Por que isso rende mais que um app de tradução

O húngaro tem fama de difícil, e no caso da gramática a fama é merecida. Mas o vocabulário que decide o seu cotidiano na Hungria é curto e repetitivo. São algumas dezenas de termos que aparecem em qualquer repartição do país, e nenhum deles está na página um de um livro didático.

É exatamente para isso que o Vokabulo foi construído: você registra as palavras que aparecem na sua vida e as aprende no contexto em que vai reencontrá-las. Húngaro direto do português, sem desvio pelo inglês, como em mais de 100 idiomas em qualquer combinação. Repare no detalhe, porque material de húngaro com o português como língua de partida é coisa que praticamente não existe.

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